Carta aberta à sociedade hamburguense

No final do mês de abril, fez um ano que os pacientes da nossa cidade começaram a ser atendidos no hospital em Taquara, pois nosso município, Novo Hamburgo, deixou de oferecer atendimento para tratamentos oncológicos via SUS.

Nós, da Liga, publicamos esta carta aberta à sociedade cobrando agilidade no retorno da oncologia para NH. Relatamos a situação diária dos pacientes acometidos pelo câncer e mencionamos as promessas feitas pelo poder público. Confira, abaixo.

Continuamos a nossa luta pela oncologia em Novo Hamburgo.

Continuamos a nossa luta pela vida.

Estamos aqui por e para pessoas.

ÍNTEGRA DA CARTA ABERTA:

O tempo é um grande sinalizador.

Estamos completando um ano do “desmonte” da oncologia em Novo Hamburgo e sua passagem para Taquara.

Novo Hamburgo possuía, senão o melhor, um dos melhores serviços de oncologia do Estado. Por problemas de atraso e não cumprimento dos pagamentos, dos atendimentos pelo SUS, passou a existir “demanda reprimida”, ou seja, impossibilidades em receber novos pacientes do SUS, uma vez que o Hospital Regina não recebia para dar conta da demanda, tendo que arcar ele com os custos. Sem duvida esse era um grande e grave problema.

A solução encontrada pelo Estado e Município foi transferir os atendimentos para Taquara, onde nem se quer havia estrutura para tanto. Teria que ser montada. Mas o discurso contemplava a segurança e certeza de que os pacientes teriam melhor atendimento, apesar dos 90 km que deveriam “andar”, das “grandes” diferenças técnicas, instrumentais e mesmo profissionais”. Pregavam que não haveria “demanda reprimida”.

Passado um ano da enorme perda dos pacientes oncológicos, estamos trazendo aqui seus próprios relatos sobre a drástica mudança que tiveram que realizar e aceitar em prol de suas vidas.

Os pacientes tem relatado, em suas visitas à Liga que o atendimento de consultas na Oncologia em Taquara, desde a recepção ao atendimento médico, é de acolhimento pelos profissionais, e a maioria não tem queixas.

Relatam, sim, muitas queixas com relação a demora na marcação de exames, como ecografias, tomografias, raio X e cirurgias. Estas, às vezes, com espera de até 3 meses, quando após esse período, não são remarcadas, porque as salas de cirurgia não comportam a demanda. Com isso tem ocorrido “demanda reprimida” tanto em exames como em cirurgias.

Além da demora, os exames são marcados, várias vezes, em diversas cidades da região metropolitana e vale do Paranhana, fazendo com que os pacientes tenham que, novamente, se deslocar para realiza-los.

Assim sendo, os pacientes mostram-se angustiados devido aos riscos de metástases e pelo medo do agravamento da doença.

Ainda com relação aos exames, a possibilidade de um importantíssimo exame que era disponibilizado em Novo Hamburgo, o PET Scan, exame capaz de detectar tumores em todos os lugares do corpo, não é disponibilizado em Taquara, somente em Porto Alegre.

Outra queixa frequente é com relação ao atendimento da emergência do Hospital. Quando os pacientes tem dor, o que é frequente, são orientados a se dirigirem a emergência de Taquara, mas os médicos que atendem neste setor do Hospital alegam não ter autorização para solicitar exames. Atendem a questão da dor, com medicação “momentânea”, mas não podem solicitar exames para ver o motivo da queixa, orientando o paciente a voltar a consultar com o seu médico oncologista, pois esta demanda não lhes compete. Sendo assim, os pacientes necessitam remarcar consultas e aguardar com dor.

As queixas mais recorrentes, são com relação ao desgaste que lhes é o transporte. O tempo que levam para ir a Taquara depende de toda uma logística. A Van que os transporta, recolhe cada paciente em sua moradia, levando para isso, em torno de duas horas, mais o trajeto de uma hora até Taquara. Após a consulta devem aguardar todos os pacientes terminarem as consultas para retornarem juntos. Esta logística consome dos pacientes em torno de 9 horas, em média. Pacientes estes que, muitas vezes, estão bastante debilitados.

Relatam que quando chegam ao local, só podem entrar na recepção meia hora antes da consulta marcada, sem um local adequado para permanecerem. Quando terminam a quimio ou consulta, mesmo debilitados com o procedimento, não possuem um local apropriado para aguardarem o transporte.

Referem que tem muita dificuldade de entrada no hospital e precisam aguardar o transporte na parte externa, muitas vezes sem abrigo. Ocorre que o local não comporta a demanda.

Outra dificuldade que enfrentam é a falta de local adequado para um lanche, durante a espera da consulta ou do retorno. Nas imediações existe somente um trailer com grande limitação de opções de alimentos.

A Liga Feminina de Combate ao Câncer, sempre atenta as necessidades e sofrimento de seus pacientes vem através desta procurar saber O QUE FOI FEITO NESTE UM ANO para trazer a oncologia de volta a Novo Hamburgo. Tivemos, na época do desmonte da oncologia a promessa que em torno de dois anos ela estaria de volta ao anexo 2 do Hospital Municipal. Como está essa obra e sua previsão?

E, os tantos políticos que nos prometerem ajuda, estão fiscalizando, onde estão?

Continuamos nossa luta pela oncologia em Novo Hamburgo.

Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo.

Abril de 2023.

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